21/06/2010

eram os anos 80 (2).



É do senso comum que , na infância, existem duas etapas cognitivas: uma de formação e aprendizagem e uma outra em que se começa a ler Dos Passos e Adorno. Assim, para quem tenha nascido em finais de setentas e inícios de oitentas, depois de uma breve (até aos cinco, seis anos, digamos) passagem por narrativas light, como os Transformers, a Heidi, o Verano Azul, o Conan, a A Abelha Maia, ou o Duarte e Companhia, seguiu-se a todo o vapor a entrada nas delícias de Godard, Resnais, Eisenstein, Brakhage, Proust, Foucault e John Cage. Contudo, algum ou outro imbecil decidiu, na transição, permanecer num limbo espiritual, não recuando nem avançando (nm atacando, como diria um jornal desportivo) um milímetro. Foram os anos Bocas, Van Damme, Stallone, Schwarzie, Michael Dudikoff e Karate Kid. Numa iniciativa paralela à programação do senhor António Rodrigues, o autor deste blogue, que gosta de se vestir de mulher ao Domingo, decidiu realizar uma contra-programação, em local e data incertos. Estão todos convidados. Aí vai:

1- Programação integral do O Bocas.
2- Cyborg, de Albert Pyun
3- Red Scorpion, de Joseph Zito
4- Rambo III, Peter MacDonald
5- BloodSport, Newt Arnold (agora todos: Kumite! Kumite! Kumite!))
6- Karate Kid I, II, III, John G. Avildsen
7- Rocky IV, Stallone
8- Best of the Best, Robert Radler
9- Kickboxer, Mark Di Salle / David Worth
10- Red Heat, Walter Hill
11- Commando, Mark L. Lester
12- Lone Wolf Mcquade, Steve Carver
13- Action Jackson, Craig R. Baxley
14- Lock Up, John Flynn
15- The Gods must be Crazy II, Jamie Uys
16- Halloween III, Tommy Lee Wallace
17- American Ninja 2, Sam Firstenberg
18- Streets of Fire, Walter Hill
19- Road House, Rowdy Herrington
20- Murphy's Law, J. Lee Thompson

Após a exibição de cada filme, iremos todos para uma cabana a improvisar o Frágil dos anos 80, onde trataremos de reconstruir a cena do Frágil dos anos 80, isto é, enrabamo-nos uns aos outros enquanto ouvimos Joy Division e Soft Cell e discutimos performance art. Acabada a festa, queixemo-nos dos novos tempos, e derramemos lágrimas de uma insidiosa nostalgia, como está patente neste artigo a pingar um subtil aroma a reaccionarismo por todos os poros. Podem chamar-me Lúcia, enquanto me comem.
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